domingo, 23 de julho de 2017

Comentarista do SporTV declara sua paixão ao voleibol

Um dos jornalistas mais respeitados da crônica esportiva, o comentarista Maurício Noriega, falou de forma exclusiva para o Portal “Torcedores.com”. Conhecido dos gramados, de forma mais assídua,  Noriega falou de uma paixão, desconhecida do grande público, o gosto pelo o voleibol. O comentarista citou como a União Soviética o fez mudar e ampliar os seus horizontes sobre a modalidade e o esporte, como um todo. O jornalista ainda ressaltou a influência do vôlei em sua vida esportiva, profissional, especialmente, os anos como jogador, carreira, entre vários outros assuntos.

Como surgiu a paixão pelo o voleibol?
Em 1980, a escola em que eu estudava “Nossa Senhora da Consolação”, montou um time de voleibol para disputar os Jogos Mirins de 1981, uma competição muito legal, que reunia todas as escolas de São Paulo. Nosso professor de educação física, o saudoso Antônio Carlos Enge, nos ensinou a jogar voleibol, montou um bom time e ganhamos a competição. No dia da final, no ginásio do Pacaembu, o professor Antônio Martins Filho, o Índio, que era treinador do Paulistano, estava vendo os jogos, buscando jogadores, e nos convidou para treinar no Paulistano. Eu e mais três ou quatro amigos, e também atletas do time vice-campeão que virariam grandes amigos. Assim que eu comecei a gostar do voleibol e a praticar.
Por quanto tempo jogou e quais foram as equipes?
Joguei competitivamente entre 1981 e 1989, mais ou menos, com algumas paradas.
Comecei no Paulistano, depois fui para o Pinheiros, onde acho que joguei meu melhor voleibol e poderia ter ido até à seleção paulista infanto. Mas eu tive hepatite, e o professor Deraldo Wanderley, que tinha sido meu técnico no Paulistano e era, por sua vez, o treinador da seleção, me perguntou quando eu voltaria, porque gostaria de me chamar, mas eu ainda estava me recuperando e nem conseguiria treinar. O último clube em que joguei foi o Banespa, num esquema mais profissional. Com o professor Waldemar Talarico, que saiu do Pinheiros, o Banespa montou seus primeiros times competitivos e saí do Pinheiros para jogar com ele no Banespa. Um esquema já profissional, com salário e tudo. Eu não sou muito alto, mas jogava como atacante de ponta,  tinha uma impulsão excelente e um braço muito rápido, era um atleta muito forte fisicamente e treinava pesado, mesmo sem ser um grande talento. Mas foi ficando difícil, muito treino, mas sem altura era impossível encarar os caras de 1m90, 1m95, os mais altos daquele período. Hoje, esses caras são baixos. Precisava estudar, prestar vestibular, e resolvi parar. Ainda voltei a jogar depois de entrar na faculdade, fiquei uns meses no Banespa, mas já sem muito pique. Tive alguns convites para voltar a jogar, mas sabia que não seria competitivo e resolvi tocar a vida no Jornalismo. Mas devo muito ao voleibol. Tenho até hoje grandes amigos que fiz nas quadras. Joguei contra e com alguns jogadores espetaculares, como o Maurício Lima, Paulo Rogério, Piti, Ricardo Mãozinha. Tive excelentes treinadores, conheci grandes figuras, como o capitão William, Josenildo Carvalho, Zé Roberto, Luizomar Moura. O voleibol é um ambiente muito gostoso.
Como surgiu a oportunidade de trabalhar com futebol?
Eu comecei a trabalhar como jornalista na assessoria de imprensa da Federação Paulista de Basquete. Ainda jogava voleibol, mas já devagar quase parando. Depois consegui um emprego na Folha da Tarde, que atualmente se chama Agora São Paulo. Comecei na editoria de geral, depois fui para a Internacional. Um domingo de plantão, o Fábio Sormani, hoje na Fox Sports, sugeriu ao editor José Roberto Malia, um grande jornalista, que me aproveitasse no esporte. Aí fui ficando e fiz minha carreira. Fui para o Diário Popular, Gazeta Esportiva, Lance, SportsJÁ!, Rádio Bandeirantes e finalmente o SporTV, onde estou desde 2002.

Tem alguma preferência entre vôlei e futebol?
Gosto de esportes. Considero-me um jornalista esportivo, não apenas de futebol. Já cobri Olimpíadas, Pan, Mundiais de vôlei, basquete, Natação, Judô, Fórmula 1, Copa Davis e tudo que se possa imaginar de futebol. Gosto de tudo que envolva jornalismo e esporte e hoje estou mais no futebol, embora tenha trabalhando como apresentador na Olimpíada do Rio.

Plasticamente, o que é mais bonito de ser, o vôlei ou futebol?
São esportes muito diferentes. O voleibol é extremamente tático e coletivo. Não tem jogada individual no vôlei, não dá para sair driblando, ninguém faz nada sozinho. É um esporte desafiador, porque não se pode carregar a bola, que é um instinto natural, meio lúdico. O voleibol exige uma capacidade de observação do adversário muito grande. O futebol é mais simples e direto e também tem uma dose de individualidade muito maior. Ainda que a tática e o coletivo sejam muito importantes. Sozinho, o melhor jogador de voleibol do mundo não vai ganhar um jogo. Ele não pode sacar, passar, levantar e atacar sozinho. No futebol, uma jogada individual desmonta um esquema tático e faz o time mais fraco vencer o mais forte.

A União Soviética realmente foi um marco na vida, como esportista e futuramente, como jornalista?
Aquele time soviético era meio mítico para a minha geração. Eram tempos distintos, de pouca informação, sem TV por assinatura, sem SporTV. Lembro que meu saudoso pai, Luiz Noriega, narrou os jogos de Moscou, em 1980, pela TV Cultura, e falava do time soviético, de Savin, Zaitsev, Moliboga e também de como o Brasil tinha chegado muito perto das semifinais, perdendo para a Iugoslávia um jogo que era para ganhar. Foi um time lendário, que marcou época, como vieram depois a geração de prata do Brasil, William, Xandó, Montanaro, Renan, Bernard, e o time dos EUA com o Karch Kiraly, que para mim foi o maior da historia, Pat Powers, Craig Buck, Steve Timmons. E chega 1992, com o Brasil em Barcelona, também revolucionando com o time do Zé Roberto, com Carlão, Negrão, Maurício, Paulão, Tande, Giovane. Aquele time inaugurou o voleibol moderno, que se joga hoje. O Zé praticamente inventou a posição de oposto. Como jornalista, fui privilegiado por poder ver aquela medalha de ouro em 1992, com um cara em quadra, o Maurício, contra quem joguei no infanto e no juvenil. ‘Cracaço’ de bola, um gênio, um dos maiores levantadores da história e gente da melhor qualidade. No infanto, pela Fonte São Paulo, de Campinas, ele já jogava como se fosse adulto.

Muito obrigado pela entrevista ao colega, grande e respeitado jornalista, Maurício Noriega. Valeu por tudo!


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Nova safra que já dá grandes frutos para o país.

Nova safra que já dá grandes frutos para o país.
Brasil se torna campeão da Liga Mundial com um time renovado e grandes promessas