Como
quase todo fim de temporada, os títulos quando não aparecem servem
como um verdadeiro buraco fundo, sem perspectivas, sem futuro. Assim
é o Vôlei Nacional.. Times com alto investimento se sucumbindo em
meio a cobranças, em alguns momentos até cruéis, por soarem
oportunistas, sem vislumbrar algo a médio, longo prazo.
O
Vôlei mais uma vez coloca em cheque os moldes na qual são
implantados seu sistema de formação, muitas vezes, deficitário,
tirando as raras exceções, o vôlei se tornou um esporte que ainda
utiliza como parâmetro, 'atletas tarimbados, com experiência', em
contrapartida, equipes como Minas, dando literalmente a cara pra
bater, com uma grande maioria de atletas feita em suas categorias de
base.
Esse
contraste se reverte dentro da quadra, com equipes formadas, com suas
bases de seleção. Com a crise financeira assolando o país, o
roteiro tende a mudar radicalmente, e a cobrança por títulos de
outrora, se manterá, mas como outros parâmetros. Os times serão
forçados a formar, revelar atletas, pra diminuir os gastos e
propiciar a tão discutida e almejada, 'renovação'.
Com
o título recente da Superliga B, o Sada Cruzeiro segue mesmo que de
forma tímida, um trabalho mais focado na categoria de base, reflexo
se vê nas competições, devido ao equilíbrio técnico, emocional
da 'molecada'.
Seguindo
também esta linha, o Sesi São Paulo pretende resgatar esse quesito,
“formar mais' e “gastar menos”. Depois da derrota nesta última
Superliga para o Cruzeiro, já se ouve rumores pela Vila Leopoldina,
que o time da capital terá um investimento bem menor do que em
outras temporadas.
Com
um time recheado de atletas 'caros' sob aspecto financeiro, fará com
que o Sesi enxugue suas contas, tendo que descartar atletas, como:
Lucarelli e Riad, ambos contratados pelo o Taubaté. Consequentemente
a debandada continua, visando valores mais menores, mas não menos
competitivos.
O
Taubaté por sua vez, segue o caminho inverso dos demais. Com uma
base formada que deu 2 títulos importantes para a cidade do Vale do
Paraíba, o time vem forte para todas as competições, com
investimento 'surreal' traz atletas, como o ponteiro Lucarelli, o
central Riad, ambos jogaram no Sesi pela temporada anterior. A
contratação do oposto canadense Gavin Schimit, o central Otávio
(ex Minas) e a suposta contratação do ponteiro também canadense
Winters que atuou pelo o Cruzeiro, anteriormente. Se forem
confirmadas todas as contratações, teremos certeza de um time que
brigará novamente com o Cruzeiro por tudo.
Porém
não é essa questão, até que ponto montar verdadeiras seleções
fará com que o time tenha longevidade no esporte? Histórias e mais
histórias se repetem todos os anos, entrada de patrocínios fortes,
grandes investidores que inflacionam o mercado, sem prever um
planejamento estrutural, físico, se sucumbem a projetos desastrosos,
que possamos recordar sobre a empresa de Eike Batista, montou um time
vitorioso, com atletas de ponta, que deram o respaldo sucessivamente,
com o título da Superliga 2012/13 para o time do Rio de Janeiro. Há
2 anos atrás deixou o clube na 'mão', jogada as moscas, sem
salário, estrutura alguma.
Muito
se pensa, se discute, mas pouco se faz pelo o Vôlei.. a filosofia de
títulos que atrai cada vez mais oportunistas, sem compromisso com o
esporte é um mal que corrói as veias da modalidade, matando a
essência, sendo posto em cheque o trabalho de quase 3 décadas.
Enquanto não houver uma competição mais igualitária, com os
clubes recebendo por direitos de transmissão, leis de incentivo a
clubes/formadores, o Brasil viverá o hiato de títulos com atletas
de talento, mas sem uma devida renovação altamente competitiva..
Com
o interesse de outras emissoras, inclusive, algumas abertas, como o
caso da Redetv, que transmitiu a final da Superliga, abre se uma nova
lacuna pra discutir metodologias, mercado, abertura para o diálogo
dos clubes, com o devido retorno de imagem e outros quesitos a serem
discutidos. Uma luz se acende no fim do túnel, dando mais
autoestima, respeito e dignidade para uma modalidade que tanto deu e
dá para o país.

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